Conheça homens que conciliaram o tratamento do câncer de próstata ao trabalho

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Vida profissional | 19 de novembro de 2015 |

O câncer de próstata é a doença mais prevalente entre os homens. De acordo com estudo feito pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), este tipo de câncer atinge 69 mil homens por ano no Brasil, aproximadamente oito novos casos a cada hora. Casos atingem pais, avôs, companheiros e amigos das mais variadas funções profissionais e que, muitas vezes, não podem e não querem abandonar a carreira ao longo do árduo tratamento.

Neste Novembro Azul, mês de conscientização da importância dos exames anuais a partir de 50 anos, a Staples conversou com homens que passaram pelo tratamento do câncer de próstata sem deixar a carreira de lado. Abaixo, você confere a história de dois grandes exemplos que, apesar das diversas dificuldades impostas pela doença, não perderam o amor pela vida e pelo trabalho.

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O conhecimento de Paulino: o diagnóstico precoce é a melhor alternativa

Paulino Filho, 89, venceu o câncer de próstata de forma consciente. Ele é a prova de que “o diagnóstico precoce por meio do exame de toque retal e da dosagem do PSA salva vidas e deve ser realizados periodicamente por todos os homens acima dos 45 anos”.

De acordo com o empresário, ele sempre entendeu a importância dos exames e, apesar de considerar uma situação desconfortável e invasiva, nunca deixou de realizá-los. “Quando completei 50 anos procurei pela primeira vez um urologista. Foram 25 anos fazendo, anualmente, os exames, até que, em 2001, comecei a sentir dores na lombar e sangramentos na hora de urinar. No fundo eu sabia que estava com câncer, mas, justamente por procurar me informar sempre, não me desesperei. Procurei o médico, passei pelos exames novamente e quando tive o diagnóstico de câncer de próstata só pensava em estar curado”, relata.

Foi com este pensamento que Paulino enfrentou o tratamento da doença. “Quando eu recebi a notícia, já conversei com o meu médico sobre o tratamento, já que o câncer de próstata pode ser combatido por vários métodos – entre eles cirurgias, terapias hormonais e radioquimoterapias. Após uma conversa, decidimos que, para o meu tipo de câncer, a radio seria a melhor opção porque, afinal, o tumor ainda não tinha se espalhado para outros órgãos e tecidos. Mais uma vez, graças ao diagnóstico precoce”, conta. O empresário passou por 40 sessões divididas em dois meses, mas, apesar das dores na bexiga, diarreia e sangue na urina, não abandonou por nenhum dia a rotina de trabalho.

Segundo Paulino, o trabalho era uma fonte vital para ele se sentir útil, bem consigo mesmo e aumentar a autoestima. “Até hoje, mesmo com quase 90 anos, trabalho todos os dias. Foi algo que aprendi com o meu pai e, por isso, só deixarei de trabalhar quando não tiver mais condições. Quando eu tive o câncer de próstata eu me sentia bem a ponto de trabalhar, claro que com uma carga horária e um estresse menor, mas fui à empresa todos os dias, inclusive quando eu tinha radio. Trabalhar ao longo do tratamento me fazia relembrar o porquê eu precisava continuar me cuidando”.

Apesar de sua experiência ter sido positiva em relação ao trabalho, Paulino sabe que foi privilegiado e elenca algumas dificuldades: “Eu sei que sou exceção em muitos sentidos e um deles é em relação a ter o meu próprio negócio e trabalhar da minha maneira e no meu próprio tempo. Isso é algo único. Se eu tivesse que cumprir uma determinada carga horária, metas ou receber qualquer tipo de pressão extra, as coisas seriam diferentes. Por isso, eu sei que muitos desistem do trabalho – ou pior, não recebem o apoio necessário da empresa”, finaliza.

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A queda de rendimento no trabalho motivou o diagnóstico de Carlos

Carlos Alberto Mazuca, 62, enfrentou maus bocados ao longo do seu tratamento. Mas tudo começou por causa do trabalho. “Em abril de 2008, percebi que estava com dificuldades para urinar: o jato saía fraco e precisava ir várias vezes ao banheiro durante a noite. Consequentemente, tinha péssima qualidade de sono, o que refletia no rendimento do trabalho”, diz o gerente administrativo.

A esposa recomendou que procurasse um clínico geral e relatasse o problema. No entanto, ele adiou a consulta até que o problema o obrigou a passar por exames de urina, hemograma e PSA. “Por curiosidade, abri os resultados e vi que o PSA estava elevado em 24,7 nanogramas, quando o natural é, no máximo, 4”. Em função do resultado, foi encaminhado a um urologista. Passou, então, pelo temido exame de toque retal – “que durou menos de 5 segundos” – no qual o médico constatou nódulos no ápice direito da próstata, o que requeria mais exames.

Na semana seguinte, já com os resultados novos, recebeu o diagnóstico de neoplasia maligna: câncer de próstata. “Meu mundo desabou. Pensei que ia morrer. Que ia dar trabalho à minha família. Entrei em desespero. Chorei sem parar”. Felizmente, o tumor estava restrito à próstata, o que lhe dava 90% de chance de cura. O tratamento poderia ser feito pela retirada da próstata – que causa incontinência urinária e disfunção erétil em cerca de 30% dos casos – ou por bloqueio androgênico máximo – que causa disfunção temporária. “Optei pelo bloqueio androgênio, com duração de 5 anos. Iniciei o tratamento com a aplicação de implantes subcultâneos no abdomen e, depois de um ano, por 40 sessões de radioterapia”.

Ao longo do processo, o trabalho também foi um dos aliados de Carlos. “Continuei trabalhando porque achei que se me afastasse seria pior, teria mais tempo para ficar pensando na doença. Seria péssimo para o meu estado emocional. Nem durante as 40 radio eu parei: fazia as sessões à noite”, salienta. “Me agarrei com força em minhas atividades”.

Contando resumidamente, o tratamento parece ter sido fácil. Não foi. “Tive depressão e precisei passar por psicólogos, além de tomar antidepressivos e remédios para insônia. Adquiri Diabetes tipo 1 e Hipertensão, que precisam ser tratados com remédio contínuo pelo resto da vida”, diz. Mas as coisas melhoraram: em 2013, Carlos terminou o bloqueio androgênico e, atualmente, está em acompanhamento ambulatorial. Agora, ele espera que 2018, quando seu tratamento chegará ao fim, lhe traga o final feliz que tanto busca.

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