Deficiente comenta como foi sua integração no mercado de trabalho

especial dia do deficiente
Vida profissional | 3 de dezembro de 2015 |

Aproximadamente 24% da população brasileira tem algum tipo de deficiência, seja ela física ou intelectual, de acordo com o Censo mais recente. A deficiência visual é a mais frequente e atinge 18,8% da população. Em seguida vêm as deficiências motora (7%), auditiva (5,1%) e mental ou intelectual (1,4%). No mercado de trabalho, são quase 360 mil vagas ocupadas por essas pessoas, em grande parte graças à Lei de Cotas para Pessoas com Deficiências, que completa 24 anos em 2015.

Esses números relevantes, no entanto, ainda não diminuíram a incidência de situações constrangedoras envolvendo colaboradores deficientes. E neste Dia Internacional do Deficiente, nós da Staples nos dedicaremos a falar sobre o assunto. Com uma ajudinha, é claro, de Gabriela Abrunheiro, jornalista da ESPN Brasil cuja deficiência é uma paralisia cerebral leve.

Sem nenhuma sequela intelectual, Gabriela ingressou no mercado de trabalho aos 15 anos, pelo programa Menor Aprendiz. Era a única deficiente na empresa – assim como na maior parte de sua carreira. “Na maioria dos lugares que passei fui a única deficiente. Só atualmente, na ESPN, tem mais gente. Antes disso, em meus outros seis ou sete empregos, sempre fui a única”, relata. Ser minoria – quando não única – não foi frequentemente um empecilho. “Por incrível que pareça, sempre foi tranquilo para mim. Nunca tive grandes problemas”.

Mas teve alguns pequenos. “É uma coisa muito sutil. Nunca achava que era preconceito. Mas, olhando em perspectiva, percebo que em duas ocasiões eu tive chefes bastante implicantes sem motivos. Olhando com distanciamento, talvez enfrentei indisposição, implicância gratuita por ser diferente. Mas é difícil de julgar, pode ser que não fosse nem consciente”, afirma a jornalista. Em função de sua personalidade forte, daquelas que não leva desaforo para casa, Gabriela sempre resistiu às implicâncias. “A minha maneira de bater de frente era fazendo de propósito”.

Uma das situações mais extremas, de acordo com ela, envolveu um evento distante de sua casa e fora do horário do trabalho. “Falei que não podia ir porque morava longe e não tinha como voltar. Mas a chefe me obrigou. Na época, achava que era chatice. Agora tenho dúvidas”, relembra.

Por competência de Gabriela, nada disso a atrapalhou. “Consegui desenvolver minhas coisas e construir minha carreira”. Hoje, na ESPN, trabalha com outros deficientes e se sente plenamente integrada. “Foi o primeiro lugar que reuniu os membros da equipe e falou abertamente sobre o assunto: fizemos uma reunião com uma consultoria de RH especializada e contei minha história. Tinha espaço aberto para tirar dúvidas e fazer perguntas”.

Para ela, tal iniciativa foi uma excelente experiência. “Assim você desmistifica a questão toda. Você aproxima a equipe e não abre espaço para preconceito ou vitimismo”, finaliza.

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