Conheça três projetos que ajudam a inserir refugiados no mercado de trabalho do Brasil

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Empreendedorismo | 30 de agosto de 2016 |

Com certeza, você já deve ter ouvido falar sobre a crise de refugiados pela qual o mundo está passando. Essa causada pelos conflitos na Síria, Afeganistão, Eritreia e outros países do Oriente Médio e da África. Infelizmente, a situação é bem complicada. São milhares de pessoas fugindo desesperadamente de suas respectivas terras natais em busca de segurança e uma vida digna.

De acordo com Vinícius Feitosa, Assistente de Proteção da ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados), durante o último Plus Plus realizado em São Paulo, desde a Segunda Guerra Mundial não havia tantos pedidos de refúgio quanto agora. Em números, são 65,3 milhões de pessoas em estado de refugiado. Ainda mais espantoso se pararmos para pensar que, a cada minuto, 24 pessoas são forçadas a sair de seu país de origem e que 53% são crianças e adolescentes.

Diante deste cenário, são diversos os questionamentos que pulam em nossa mente. Primeiramente, qual a definição do termo? Bom, para começar, uma pessoa não é refugiada, ela está refugiada e, segundo Vinícius, ela passa cerca de 10 a 13 anos neste estado. Além disso, é importante entender a diferença entre migrante e refugiado. Desde a Convenção de 1951 relativa ao Estatuto dos Refugiados, esses são pessoas que se encontram fora do seu país devido à perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, opinião política, participação em grupos sociais, conflitos armados, violência generalizada e violação massiva dos direitos humanos. Já o migrante é aquele que simplesmente deixa o seu país. Por isso, nem todo migrante possui o status de refugiado.

Outro ponto que gera curiosidade sobretudo por aqui é a relação do Brasil com essas pessoas. Em linhas gerais, nosso país segue a Convenção de 1951, mas é considerado pelo ACNUR um pioneiro na proteção internacional dos refugiados, por ser o primeiro país do Cone Sul a ratificar a Convenção e a garantir aos refugiados os mesmos direitos que qualquer outro estrangeiro por aqui. Apesar de o Brasil ser bastante aberto a essa questão, ainda falta um plano de ação para lidar com a situação.

Um dos sinais disso é a dificuldade que os refugiados encontram para conseguir um emprego. Apesar de o governo brasileiro garantir os mesmos direitos, como carteira de trabalho com férias, horas extras e décimo terceiro salário, eles não têm documentos para comprovar a formação acadêmica ou revalidar o título das universidades. E, para isso acontecer, é uma burocracia sem tamanho.

Estima-se que 25% dos refugiados têm curso superior completo, mas acabamos muitas vezes desperdiçando mão de obra qualificada, devido à falta de uma legislação específica, já que as universidades públicas brasileiras responsáveis pela validação estabelecem suas próprias regras e o processo pode levar até dois anos e custar R$ 2 mil. Com isso, grande parte dos refugiados acaba nos chamados “subempregos” (com alguma sorte), quando não ficam desempregados.

Foi pensando em diminuir essa parcela de refugiados que sofrem para encontrar uma renda fixa no Brasil que o projeto PARR (Programa de Apoio para a Recolocação dos Refugiados) foi criado.  O programa, de cunho social, funciona de maneira bem simples: ele reúne as informações profissionais dos refugiados e faz a ponte com empresas. Dessa forma, as empresas interessadas terão acesso aos currículos dos candidatos e poderão entrar em contato com eles para preenchimento da vaga.

Confira três iniciativas que apoiam a causa – e ajude você também:

Migraflix

O Migraflix é um time formado por imigrantes, refugiados e brasileiros responsável por uma ação social baseada em workshops culturais. Estes workshops são ministrados pelos próprios refugiados, afinal nada melhor que um próprio sírio para lhe ensinar, por exemplo, a preparar um legítimo falafel.

Com cerca de três horas de duração, é possível escolher diversos temas como culinária, dança, caligrafia e percussão. E o melhor: 80% do valor de cada workshop vai para o refugiado. Os outros 20% são destinados à manutenção do programa, uma vez que o Migraflix é um projeto social sem fins lucrativos. Conheça.

Abraço Cultural

O Abraço Cultural é um projeto pioneiro que tem refugiados como professores de cursos de idioma e cultura. Incrível, não? Os principais objetivos são promover a troca de experiências, a geração de renda e a valorização pessoal e cultural de refugiados residentes no Brasil.

No momento, os interessados podem realizar os cursos na cidade de São Paulo e no Rio de Janeiro, mas os planos são expandir para outras capitais do Brasil. Além de se inscrever como aluno, você também pode realizar doações para que o programa atinja mais refugiados. Saiba mais.

Amigo Adus

Este projeto faz parte do Instituto de Reintegração do Refugiado no Brasil (Adus) e tem como objetivo atuar em diversas frentes para, de fato, fazer o refugiado começar uma nova vida em outro país. São disponibilizados cursos de português, qualificação profissional, inserção no mercado de trabalho, ações culturais, atendimento psicológico e jurídico, campanhas de conscientização e reforço escolar.  Confira.

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