Conheça três mulheres que lutaram contra o câncer de mama sem abdicar de suas carreiras

Abre_Outubro Rosa
Vida profissional | 27 de outubro de 2015 |

O câncer de mama é o tipo de câncer que mais atinge mulheres ao redor do mundo. São mães, irmãs, avós, amigas e companheiras. São presidentes, gestoras, estagiárias e profissionais importantes para o funcionamento do mercado de trabalho. São mulheres que resistem à doença sem deixar de representar o que são para o restante do mundo.

Neste Outubro Rosa, mês que celebra a conscientização em relação ao câncer de mama e ressalta a importância do autoexame, a Staples resolveu homenagear mulheres que lutam contra a doença sem abdicar de suas carreiras. Abaixo, você confere o depoimento de três mulheres que, apesar das dificuldades associadas ao combate do câncer de mama, não perderam a compostura profissional.

O segredo de Alessandra: ser feliz ajuda no tratamento

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Alessandra Camargo não pode ser descrita com nada menos do que feliz, mesmo apesar do atual momento em que se encontra. Cumprindo o protocolo de 10 anos de recuperação de um câncer de mama, ela percebeu o nódulo em função de um autoexame, de forma rápida e certeira. “Assim que me recuperei das cirurgias bariátrica e na vesícula, em janeiro de 2013, procurei um ginecologista e ele me aconselhou a buscar, imediatamente, um oncologista. Fiquei assustada, mas absorvi a informação e em abril do mesmo ano eu já tinha o diagnóstico final do câncer de mama”, relata.

Apesar do choque inicial, a Consultora de Recursos Humanos afirma como teve força para enfrentar o câncer. “Nunca me senti doente, em nenhuma fase do tratamento. Comemorei cada conquista e sempre pensei, a cada quimioterapia, que era uma menos na somatória final. O tempo inteiro eu estava focada em me sentir útil, ativa, bem-humorada e saudável”.

Segundo ela, o apoio incondicional da família e dos colegas de trabalho foram vitais para essa sensação de utilidade, especialmente porque a permitiu continuar trabalhando durante todo o tratamento. “Tive apoio indiscutível da empresa em que eu trabalhava. O meu chefe também foi sensacional neste aspecto: nós combinamos que eu iria trabalhar normalmente de terça à quinta-feira e o restante dos dias eu ficaria em casa para seguir o tratamento”.

Apesar da experiência positiva em relação ao modo como esta empresa enfrentou seu tratamento, Alessandra enxerga algumas dificuldades. “Eu sei que em um processo seletivo o câncer me tiraria a oportunidade, principalmente porque eu ainda continuo com as medicações e as vacinas necessárias. Com certeza, como um critério de desempate, eu perderia”, diz.

O alto astral de Rosana, a mulher que lutou pelo seu diagnóstico

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Rosana Rodrigues é uma mulher marcante. Com um otimismo e uma responsabilidade inigualável, a Consultora de Beleza é um exemplo de pessoa batalhadora que superou o câncer de mama conciliando o trabalho ao tratamento. O seu primeiro contato com a doença aconteceu em dezembro de 2012 durante um autoexame e, desde então, ela passou a lutar pela certeza de seu diagnóstico e pelo futuro tratamento.

Se, na maioria dos casos, o câncer de mama possui um diagnóstico preciso, infelizmente o de Rosana não se enquadrou neste padrão. A Consultora de Beleza refez os exames duas vezes para ter a certeza da doença e só pôde começar o tratamento em outubro de 2013. “Após, finalmente, conseguir meu diagnóstico, eu fiz seis meses de quimioterapia, depois realizei a mastectomia total e, posteriormente, as sessões de radioquimioterapia. O processo foi muito doloroso, tanto fisicamente quanto espiritualmente. A gente fica muito sensível pela alta carga de medicação, além da sua autoestima cair muito. Mas apesar destes contrapontos, eu encarei a doença da melhor maneira possível. Eu definitivamente enfrentei o câncer”, conta Rosana.

Foi com esta força que Rosana não deixou de trabalhar em nenhum momento, inclusive durante a quimioterapia. De acordo com a Consultora, manter-se no trabalho a ajudou bastante, principalmente por estar em contato com outras pessoas e por se sentir útil no dia a dia. “Tiveram momentos difíceis, claro. Durante a quimioterapia, muitas vezes, fui trabalhar passando mal. Após a cirurgia tive que ficar 60 dias em casa sem poder trabalhar, dirigir ou pegar peso e, por ser autônoma, tudo era ainda mais complicado. No entanto, eu fiz o possível para continuar vendendo”.

Hoje, Rosana trabalha com carga horária normal e, apesar de ter algumas restrições, voltou à normalidade. “A gente sempre dá um jeito para trabalhar, seja levando menos produto ou fazendo as coisas com mais calma. No fim tudo dá certo”.

A calma de Valéria, a prova viva de que o diagnóstico precoce dá certo

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Valéria Coppedê venceu o câncer de mama em uma situação completamente oposta à de Rosana. Ela é “a prova viva de que diagnóstico precoce dá certo”. Diagnosticada também depois de sentir um nódulo durante um autoexame, há seis anos, teve um tratamento intenso. A cirurgia, uma quadrantectomia – que retira apenas parte do seio -, não foi tão traumática quanto uma mastectomia integral, mas a continuação foi cansativa: quimioterapia e radioterapia.

No entanto, as complicações surgiram no retorno ao trabalho. Muito embora esteja ligada à área de saúde, já que é Dentista, Valéria teve percalços em sua carreira pós-câncer de mama. “A partir do momento que o cabelinho cresceu, já passamos a fazer parte da engrenagem. Mas quando nossos chefes não passaram conosco pelo que passamos, muitas vezes não conseguimos corresponder ao nível de exigência demandada”, afirma. “Eu, por exemplo, faço minhas tarefas mais devagar, com outro ritmo, sem me submeter ao estresse, mas, mesmo assim, tenho que me adaptar ao serviço e o serviço se adaptar a mim”.

O problema é que nem sempre essa relação é tão simples. Nesses casos, ela ensina, a solução é conversar. “É claro que me desgasta um pouco sempre ter que explicar a situação, provar que, mesmo um pouco mais limitada – cansaço, um pouco de dor no local da cirurgia e incômodos causados pela medicação -, consigo fazer as coisas certas”.

A missão é complicada, mas não impossível. Para mulheres como Alessandra, Rosana e Valéria, o desafio se torna parte da rotina e, gradualmente, vai sendo deixado para trás. Assim como o câncer. Por isso, Valéria ensina que é preciso lutar por seus espaços. “Temos que defender nossos direitos de trabalhar do modo como é possível para nós. No meu caso, em específico, eu ainda posso dar uma força para as pacientes que se diagnosticam com câncer de mama e mostrar que eu estou aqui, como elas futuramente estarão”.

Para os empregadores, a dica é o oposto de luta: é empatia. “Eu diria para se sensibilizar e conhecer a realidade da sua funcionária. Afinal, cada caso é um caso e compreender facilita a reinserção do profissional. Além disso, minha dica é que entendam que mulheres como eu estão construindo essa história. Mulheres como eu estão sobrevivendo”, finaliza.

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