7 coisas chatas de ser um CEO

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“Como objetivo, ser o chefe, CEO, gerente ou líder é irrelevante; não é bom se não é uma ferramenta para alcançar algo maior.”

 

Como parte do meu trabalho, eu entrevisto muitas pessoas… Na verdade, eu aprendi com Jack Welch que o tempo todo eu estou entrevistando.

Todos os candidatos, como o último passo antes de entrar na Staples, têm que conversar comigo. Talvez o pior de tudo, eu ofereço chimarrão… E não sai muito bem.

Uma pergunta comum que eu faço é “O que você quer ser quando crescer” As respostas são variadas (ninguém me disse bombeiro ou jogador de futebol ainda), mas há uma que me chama a atenção, que é bastante repetida de diferentes maneiras: “Eu quero ser Chefe”,” Eu quero ter uma equipe”,” Eu quero ser gerente”.

Algo semelhante aconteceu comigo durante um curso na Universidade Northwestern, perto de Boston. Havia 20 gestores (eu, único estrangeiro), discutindo como ajudar nossas equipes a crescer. Até que eu perguntei: “E se alguém não quiser crescer?”. E me lembrei do Pit, o nosso motoboy em São Paulo, que trabalha há mais de 10 anos com a gente, e quando eu perguntei “você quer ser o que quando crescer?” Respondeu que estava feliz na posição atual. Dezenove dos participantes desse curso não acreditaram! Perguntaram-me, por exemplo, “Mas ele não quer uma piscina maior?” (Claro!).

Além do hype naquele curso, constantemente me chama a atenção que ser “Chefe / Líder / CEO” seja tão atraente. Eu entendo que “Poder” e “Dinheiro” são atraentes, e que pode ser o suficiente para alguns… Mas tem muitas desvantagens a considerar.

Solidão: Eu não tenho amigos no trabalho. Sou introvertido, mas esse não é o motivo principal. O trabalho é uma parte importante das discussões que temos fora dele; muitas vezes falamos de “nossos líderes” e queremos falar deles livremente. Tê-lo na frente não ajuda, mesmo com uma cerveja no meio. Também não me convidam para jogar futebol, mas o que isso tem a ver com minhas habilidades? Minha perna direita insiste em que sou canhoto, e se recusa a obedecer.

Escolhas difíceis: a minha visão da administração é que quanto mais elevada a posição da empresa, mais decisões difíceis vão surgir. Quando toda a minha equipe concorda com algo, é difícil que eu possa acrescentar valor decidindo o oposto. Posso opinar, orientar, perguntar. Mas eu realmente agrego valor quando há discordância, e “temos que cortar o bacalhau”. Isto significa que, quase como uma máxima, nem todos concordam com as decisões. Então, “fazer todos felizes” pode ser apenas o resultado de uma gestão integral. Mas como o único objetivo pode ser muito prejudicial.

Dar feedbacks: Não seria ótimo estar o tempo todo celebrando, parabenizando e rindo? Parte do trabalho do líder é marcar os comportamentos que devem mudar… E é muito difícil. Lembro-me de um caso em que alguém de meu time fazia a mesma coisa, sendo que eu já havia pedido que mudasse, e quando eu o questionava dizia “eu já estou fazendo o que você pediu”. Você tem que ter paciência para liderar.

Exposição: Após vários anos de liderar pessoas, compreendi finalmente que todos estão olhando para mim. Muito. Minha agenda tem que ser transparente e coerente com o que eu digo e quero. Se as pessoas são importantes, eu tenho que investir muito tempo com elas e não ficar escondido no Excel. Se eu estou preocupado, é perceptível no meu rosto, e as pessoas pensam coisas. Boatos sempre vão existir, e sempre vão doer.

Sono de má qualidade: lidero uma empresa onde 400 famílias vivem diretamente. E que ajuda milhares de empresas a operar dia-a-dia. Eu não sou médico, eu não tenho nenhuma emergência. Mas ser um líder envolve uma grande responsabilidade.

Para falar a verdade, eu não faço nada: à medida que se cresce em uma organização, você se afasta do dia a dia, dos clientes, dos fornecedores e do que você vende. É difícil manter o contato (embora eu tente, conversando todos os dias, atendendo às vezes clientes, lendo pesquisas, etc.). Imagino um médico, apaixonado por curar as pessoas, que é promovido a chefe de uma área em um hospital… Talvez tenha mais impacto, mas menos pacientes, a principal razão que ele escolheu medicina.

As más notícias vêm sozinhas: não sei se acontece com todo mundo, mas a maioria das vezes que alguém me diz “Eu tenho que te dizer uma coisa,” não é algo fantástico. As coisas boas, você têm que procurá-las constantemente; um chefe tem que ter uma vontade muito forte, uma crença quase irracional de que as coisas vão dar certo… Mas, ao mesmo tempo muita disciplina para que isso realmente aconteça.

Como objetivo, ser o chefe, CEO, gerente ou líder é apenas uma anedota; não é bom se não é uma ferramenta para alcançar algo maior.

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